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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Uma porção de GOOGLE

Nestes primeiros dias do ano tivemos acesso, através dos grandes blogs da Web brasileira, a alguns dados curiosos relacionados ao ambiente interno do Google.
Cotidianamente a marca está presente com seus produtos no nosso intenso mercado e rotina, mas aí chega o dia em que você cansa de ser passivo de todas essas influências e o desejo de ser o cara da vez é despertado.
Então você está na reta de chegada e cruza com as seguintes perguntas:

1. O que é dois para a potência de 64? (Engenheiro de software)

2. Imagine um armário repleto de camisetas. É muito difícil encontrar uma camiseta nele. Então, como você organizaria o armário para encontrá-las facilmente? (Gerente de produto)

3. Projete um plano de evacuação para São Franscisco (Gerente de produto)

4. Se você fosse o Gerente de Produto do Google Adwords, como faria um plano de marketing desse produto? (Gerente de marketing de produto)

5. Quem são os principais concorrentes do Google e como Google compete com eles? (Gerente de marketing de produto)

6. Se você fosse o gerente de marketing de produto do Gmail, como faria um plano de marketing para alcançar 100 milhões de clientes em seis meses?(Gerente de marketing de produto)

7. Quanto você acha que o Google fatura diariamente apenas com as propagandas no Gmail? (Gerente de marketing de produto)

8. Você é o capitão de um navio pirata e sua tripulação fará uma votação para definir como o ouro será dividido. Se menos da metade dos piratas concordar com sua proposta, você será morto.Como você recomendaria um meio para dividir o ouro de forma a ganhar uma boa recompensa mas ao mesmo tempo sobreviver? (Engenheiro-chefe)

9. Quantas bolas de golfe cabem em um ônibus escolar? (Gerente de produto)

10. Explique, em três sentenças, o que é uma base de dados para seu primo de oito anos. (Gerente de produto)

11. Que método você usaria para encontrar uma palavra no dicionário? (Engenheiro de software)

12. Como você armazenaria 1 milhão de números telefônicos? (Engenheiro de software)

Você saberia o que responder? Como se portar e posicionar? E a expressão de desespero, as pernas bambas e o blim-blaum dos sinos?

No Portal da Exame, especialistas relatam o que Marissa Mayer - recrutadora do Google Brasil - analisa com estas questões, ou ainda, o que elas provocam nos interessados às vagas.

12 perguntas de entrevistas do Google

O que aprender com o processo de recrutamento do Google

O planejamento estratégico da marca, além de selecionar individualmente cada neurônio que ingressa na equipe de colaboradores, também visa contribuir com o meio ambiente e posicionar a marca para com os "aspectos verdes". Seguem as 9 curiosidades verdes do Google, dentre elas: energia renovável, utilização de cabras no lugar de cortador de grama,  bermuda para quem trabalha nos servidores e ainda cultivo de abelhas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A próxima fronteira...

Além da responsabilidade social (que inclui a responsabilidade ambiental), em breve as empresas começarão a se preocupar com sua responsabilidade espiritual no mundo - que nada tem a ver com religião - incorporando, em seu dia-a-dia, o conceito de interdependência, presente na natureza, e a ferramenta da doação.

 "Os milagres não acontecem em contradição com a natureza, apenas em contradição com o que conhecemos da natureza". Santo Agostinho

Prospectando uma nova e solidária economia mundial, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, lançou recentemente o livro intitulado Dar [Giving, no original, já traduzido em Portugal como Dar, mas ainda não publicado no Brasil], em que reformula o sentido do ato de "dar" como algo que embute uma relação custo-benefício positiva para todos e, assim, oferece um olhar inspirador sobre como cada um de nós pode mudar o mundo. Antes disso, o escritor argentino Jorge Luis Borges também havia mostrado que "dar" é o que importa, ao pedir que se lançassem pérolas aos porcos. No meio empresarial, será que não lidaremos com a mesma lógica neste novo milênio? Não será o ato de dar que nos fará crescer e lucrar mais, como empresas e como humanidade?

Diante disso, e longe de qualquer juízo de grandeza moral, coloquei a mim uma questão que pode parecer extravagante para muitos: o que os marketeers podem aprender com os doadores em geral, e particularmente com aqueles que ajudam os que vivem nas ruas [os sem-teto]? Por exemplo, qual sua motivação para dar? Qual seu retorno? Será que isso poderá inspirar os marketeers? Haverá de inspirar as lideranças das organizações de negócios?

Minha grande descoberta foi a de que, nas ruas, a economia depende principalmente do conceito de interdependência. Essa ideia implica que todos são, ao mesmo momento, provedores e tomadores, clientes e fornecedores. Apenas são outros os valores agregados: o afeto inclusivo, a proximidade real, a confiança mútua, a segurança capaz de granjear a paz interior. Assim, logo percebi que receber tais benefícios também são a motivação e a recompensa de quem os dá.

Como esse conceito se transportaria para o ambiente empresarial? Creio que no surgimento de um novo conceito de marketing relacional: o marketing interdependente. Ele se baseia num aspecto verdadeiramente inovador - o fato de que todos devem ganhar numa relação, e não apenas os diretamente envolvidos. A matemática, a química e a física há muitas décadas conseguiram provar que na natureza tudo está interligado e é interdependente.

Como poderiam as empresas e o marketing escapar dessa realidade? Acredito que o marketing terá cada vez mais a aprender com a natureza, ela própria interdependente, e menos com a civilização.


Para a gestão de marketing na prática, isso significará a passagem de um marketing relacional com enfoque em parcerias estratégicas para a fundação de um marketing de comunidades, em que cada um contribui individualmente, não competindo nem cooperando, mas interdependendo.

As empresas deixarão de se ocupar em produzir e comercializar bens e serviços? Não. Mas permearão essa prática com outras baseadas na interdependência.

Eis algumas projeções do que pode vir a ocorrer no ambiente corporativo transformado pela interdependência:


ñ Em todas as etapas de produção, desde a aquisição de matérias-primas, gestores e funcionários serão orientados a desenvolver e priorizar as "ferramentas" do afeto inclusivo, da confiança mútua, da segurança capaz de granjear a paz interior. Os elos da cadeia de fornecimento se transformarão em comunidades interdependentes.

ñ O mesmo acontecerá em todas as etapas de comercialização e chegada ao mercado: canais de vendas e consumidores finais se converterão em comunidades.

ñ As empresas até poderão doar um número de horas remuneradas a seus funcionários para que cultivem o relacionamento com essas novas comunidades.

ñ O lucro continuará a existir, é claro, mas também será utilizado para recompensar o comportamento interdependente e para cuidar das comunidades.

Se um gestor quiser entender de forma completa a ideia da interdependência nos negócios, terá de voltar à necessidade primária do ser humano: a auto-realização. Diferentemente da ideia propagada pela sociedade do conhecimento, em que se mostra fundamental "conhecer", a proposta central passará a ser "auto-realizar-se". Admito que não é fácil mudar a lógica, sobretudo nas sociedades ocidentais. É preciso desapegar-se um pouco de nossa sociedade atual para compreender esta frase: "Tudo que dei é meu, continua comigo. Tudo que restará no final será o que compartilhei". Será possível ter esse sentimento em relação ao que simplesmente compramos ou vendemos?

Madre Teresa de Calcutá afirmava que, "quanto menos temos, mais temos para dar", e na rua vemos isso claramente. Basta comparar o impacto que tem sobre nós um sorriso ou um abraço sincero com o impacto do consumo, que gera satisfação fugaz e temporária.


Para que isso aconteça no meio corporativo, contudo, talvez sejam necessários às empresas uma nova transparência de propósitos, novos valores e um novo enfoque relacional, traduzidos na criação de comunidades de proximidade real. Uma nova consciência para o mundo dos negócios terá, necessariamente, de passar pela responsabilidade de, como diria Mahatma Gandhi, sermos o exemplo que queremos ver nos outros. Mais uma vez usamos o verbo "dar" - nesse caso, dar o exemplo.

Por onde começar tamanha transformação nas empresas?, perguntará o leitor. Acreditar ser possível é o primeiro passo. Acreditar que você é parte da solução, o segundo. Entender que você é também parte do problema, o terceiro. O resto você já sabe. A esse respeito, Max Planck, um dos "pais" da física quântica, afirmou que à entrada dos portões do templo da ciência estão escritas as palavras: "Deves ter fé". Ter fé talvez não seja crer no que não vemos, mas criar o que não vemos.

A realidade que se vive nas ruas fez-me antecipar, ainda, o próximo passo, uma nova doutrina econômica aparentada a um capitalismo empreendedor elevado a seu expoente máximo de responsabilidade inclusiva. Nele, assim como na natureza, assistiremos ao retorno à natural evolução criativa, em que nos descobriremos todos maiores que a soma das partes. Além de jogarmos com a ideia de interdependência, passaremos a reconhecer no fator "impermanência" uma variável estratégica de oportunidade, cabendo à alta gestão potencializá-la, em vez de isolá-la como a uma bactéria nociva. Perante uma humanidade que se debate entre os anseios de uma nova consciência nos negócios e buscas individuais de um sentido mais amplo para a existência, confrontamo-nos com novos ideais de espiritualidade. Só esta parece ser capaz de despertar o princípio organizador, totalizador, integrador de todas as potencialidades humanas. Como poderia ser diferente nas relações de consumo? Tudo na vida é uma doce responsabilidade, não mero jogo de sorte ou azar. Esse é um entendimento que, desde meados dos anos 80, vem dando origem à figura do gestor servidor.

Aristóteles, que nunca leu um livro de administração de empresas em sua vida, já sabia que somos aquilo que fazemos repetidamente. A excelência não é um ato, mas um hábito. O que falta então para romper com algumas de nossas rotinas? Acreditar que, além de desejável, é possível. Seguindo a máxima de São Francisco de Assis, deveremos começar por fazer o que é necessário, depois fazer o possível, e logo estaremos fazendo o impossível. Entre aqueles que cuidam de quem vive na rua, muitos já perceberam que obedecem, agora, a novos paradigmas: o da interdependência e o do dar. A onda criada [na Europa e nos EUA] com movimentos como o Free Hugs (o nome, abraços grátis, é auto-explicativo) ou o Banco de Tempo (que prega a simples troca de tempo por tempo) veio a provar exatamente isso. Está, pois, lançado o mais nobre desafio aos marketeers: a gratuidade - ou, como dizemos cá em Portugal, a gratuitidade.

Fonte: HMU nº 57 junho de 2008
Castro, Paulo Vieira de
Paulo Vieira de Castro é diretor do Centro de Estudos Aplicados em Marketing do Instituto Superior de Administração e Gestão do Porto, em Portugal, e seu professor. Ele também atua como consultor de empresas e é o formulador do “dharma marketing”, novo modelo de marketing baseado na responsabilidade espiritual. www.dharmamarketing.org

quarta-feira, 7 de abril de 2010

lixo patrocinado é na TerraCycle

Hoje o assunto é serio e reciclável.
Bem, não é mais um papinho furado de que as geleiras vão se tornar dinossauros e vão tomar o mundo. É sobre a TerraCycle. Terra, quem?

Tudo começou em 2001 quando um jovem húngaro - Tom Skazy - abandonou a univerdade nos Estados Unidos para criar uma empresa que transformaria lixo em novos produtos. A inspiração vem de um pé de maconha, chamado "Marley", que ele havia deixado com seu amigo e este, quando de volta a Tom, estava forte e frondoso graças a muito esterco de minhoca.
Esta história é veridica, quanto a do dinossauro.

Naquela situação surgia o primeiro produto da TerraCycle: um adubo em garrafa PET 100% natural.

O próximo passo foi fabricar com embalagens usadas sacolas, moxilas, cadernos e demais derivados.
Esta ação tinha o conhecimento das empresas donas das marcas das embalagens em questão, como a Kraft e Pepsico.
Até aqui temos um jovem com espírito empreendedor, uma idéia inovadora perante tantas outras que não fluem e marcas interessadas em se tornar "verdes" - dando um destino "verde" para os seus maiores lixos (as embalagens).

Tom Skazy recebeu ajuda para se instalar no Brasil e junto do vice-presidente de marketing brasileiro da Pepsico (Carlos Ricardo).
Agora a empresa produz no Brasil, com a ajuda da ONG de curitiba, a Solidarium, vários produtos com as embalagens da Pepsico, como Doritos, Ruffles e Fandagos, e só era possível comprá-los em lojas WalMart. Em breve, a TerraCycle começará a fabricar moxilas para o Brasil e outros itens com embalagens descartaveis de Tang - marca de suco em pó da Kraft.

Seu segmento no Brasil visa se aliar com outras marcas, como Carrefour, Pão de Açúcar, Nestlé, Johnson &Johnson.



E o mais legal galerinha de Cowboy, o site no Brasil disponibiliza um cadastro para que ONGs, escolas e demais entidades se cadastraem e em troca das embalegens arrecadadas se ganha centavos de dinheiro. A entrega pelas embalagens até a empresa é através do correio, logística paga pela TerraCycle.

Nos Estados Unidos este tipo de atividade já acontece a 2 anos e mais de 60.000 entidades já estão cadastradas.

Agora vamos ao que interessa - parte curiosos!
Skazy está nadando no dinheiro, por ter largado Princeton nos Estados Unidos para catar lixo?
Szaky ainda não está nadando em dinheiro - a TerraCycle faturou 8 milhões de dólares em 2008 e o lucro é esperado apenas para 2011. Mas poucos empreendedores conseguiram atrair tanta atenção de grandes empresas nos últimos anos quanto ele. Tamanha evidência não tem apenas a ver com o esterco de minhoca - que ainda representa a maior parte (não revelada) de suas vendas. Mas também com um portfólio de produtos reciclados, como vasos e sacolas fabricados com embalagens de alimentos, que depois são vendidos em grandes redes de supermercado.

Agora vamos ao que interessa - parte consumidor:
Szaky acaba de colocar 10 150 artigos - entre mochilas e carteiras - em 69 lojas do Wal-Mart no país, produzidos com embalagens de Elma Chips, como Ruffles e Fandangos
A confecção dos artigos está a cargo de cerca de 100 costureiras da Solidarium, empresa com sede em Curitiba que apoia microempreendedores e levará um percentual não revelado das receitas das sacolas. As mochilas estão sendo vendidas por cerca de 30 reais e as carteiras por cerca de 10 reais. Os preços seguem o mantra de Szaky de que os consumidores não querem e não devem pagar muito mais por produtos ecologicamente corretos.

Agora vamos ao que interessa - parte organizacional:
Sua grande sacada foi criar um modelo de negócios sedutor tanto para grandes empresas como para consumidores em tempos de aquecimento global. No caso das grandes empresas, ele consegue emprestar uma imagem sustentável a um risco baixo. O único investimento que uma grande indústria tem de fazer é patrocinar pontos de coleta das embalagens.
Atualmente, a empresa tem cadastradas cerca de 30 000 pontos nos Estados Unidos. Todo o custo envolvido nessas pontos é coberto hoje por grandes indústrias.

"Só precisamos de mais escala para lucrar, e estamos chegando lá."

O endereço para o site da TerraCycle:
http://www.terracycle.com.br/

Link direto para os produtos:
http://www.terracycle.com.br/products

Conteúdo extraído de materias do Portal Exame.