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domingo, 6 de janeiro de 2013

Seria obra uma arte sem artista?

Empresas, organizações, ONGs, produtos e serviços são meras coisas sem valor e com preço. Mas estão por que paga-se mais, fala-se bem e se reconhece o tênis da Converse e valoriza-se o prego da Gerdau?! Existiu um tempo em que água era simplesmente água, arte era simplesmente arte e reconhecida como tal apenas quando o artista era o indivíduo que possuía um talento e esse era reconhecido ou julgado pela sociedade. Alguns fatores de valorização, distinção e concorrência propuseram mudanças, os apreciadores, espectadores, clientes e marcas mudaram.

A sociedade desde seu princípio foi constituída por um povo e sua cultura, sendo fragmentada em segmentos sociais, níveis hierárquicos e funcionalidades. Cada território ou campo social habitua disputas por poder, o objeto ou símbolo representativo dessa luta integram à educação de geração em geração, conforme Denys Cuche (2002). As crianças são educadas com valores e direcionamentos perante cultura e hábitos que constituem a sociedade e a sua família, o principal capital por qual ela terá que batalhar é predestinado em sua infância – nas Zonas Urbanas do Brasil, provavelmente, o principal capital seja o real, já nas aldeias indígenas o capital que distingue cada segmento social de sua cultura provavelmente seja o acúmulo de alimentos ou a quantia de caça. 

No campo artístico a distinção acontece por meio do prestígio que um artista possui perante aos seus pares – outros artistas que integram a mesma categoria e têm competência cultural semelhante. Os artistas que adquirem mais prestígio são reconhecidos proporcionalmente como dominantes de seu campo, enquanto os que somam menos prestígio são reconhecidos proporcionalmente como dominados. Portanto, o jogo de dominantes contra dominados é a disputa que ocorre no campo artístico, porém não são apenas os demais artistas que realizam esse reconhecimento... 

Pierre Bourdie
Os espectadores também possuem o poder de nomear o prestígio que sentem perante um artista e, quando essa nomeação acontece pela maioria da categoria de atuação da arte, o artista adquire o prestígio de seu público. A partir desse momento, o artista tem o poder de influenciar gostos e afinidades posicionando novos artistas, emprestando a sua marca e sua imagem, agregando o valor que possuem ao novato. A cultura de massa enfrenta o gosto cultural como um produto e fruto de um processo educativo, ambientado na família e na escola e não fruto de uma sensibilidade inata dos agentes sociais, conforme as ideias de Bourdieu citadas no Dossiê Pierre Bourdie da Cult, Edição 128 (2008). 

O prestígio, o real, a marca, o gosto, as afinidades e tantos outros fatores que constituem a personalidade e comportamento de um indivíduo quando expostos ao pequeno e/ou grande grupo, fornecem subsídios para sua primeira impressão. Dentre os espectadores das artes, a identificação que se faz perante aos artistas, também condiz ao seu nível de competência cultural. Bordieu citava que um indivíduo diferencia-se pela relação classe social X gosto artístico – quanto mais alta a classe social, mais competência cultural - ou por uma distinção cultural – formada por tais fatores de distinção: apresentação pessoal, alimentação e consumo cultural

"O conjunto desses capitais seria compreendido a partir de um sistema de disposições de cultura (nas suas dimensões material, simbólica e cultural, entre outros), denominado por ele de HABITUS". (CULT; 2008; p. 48) 

Artistas eram meros artistas, como a água era meramente líquido, sem marca ou identificação. Informação, diferenciação e concorrência estimulam a evolução e a construção de marcas, com a finalidade de estar presente continuamente na mente se um respectivo público alvo. Os artistas contemporâneos tratam de suas obras como mercadorias, formam equipes, ateliers, estúdios e contratam profissionais para executar o que um determinado planejamento objetiva, segundo Gisele Kato na Edição 170 da Bravo! (2011). 

Bastava-se ter muito talento e pouco estudo para elaborar uma obra de arte, hoje são necessários profundo estudo, técnica e pesquisa, devido ao acesso às informações e conhecimento facilitado que a grande massa possui para avaliar e criticar. Portanto, a mesma relação que se cria entre um indivíduo e as obras de arte que admira, também se faz presente quando marcas associam artistas e/ ou obras ao seu posicionamento, com a finalidade de moldar seu posicionamento e aproximar-se de seu público alvo.

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Texto produzido para a aula de Comunicação e Arte - Semestre II do Curso de Comunicação Social da Unisinos.

terça-feira, 2 de março de 2010

Educação no Governo

Estudante de uma escola estadual percebo a irritação daqueles que poderiam ser os aliados do governo, mas que são o contrário - os próprios professores.
Hoje, uma dessas professores, indignada, coloca pra fora: "nós somos a parte mais inferior, se preocupam tanto em arrecadar investimento para escrever mais livros, porém o que mais nos interessa é ter todos os professores no começo do ano letivo!"

Ao termino desta declaração penso com uma visão de quem está conhecendo melhor os 4P's (visão de dentro pra fora de uma empresa, a qual se preocupa apenas com o ambiente interno, e se esquece do mais importante: o cliente): o governo, por este ponto de vista, deixa os alunos por último. Eles que deveriam estar em primeiro lugar, estão em último. O governo está se preocupando com apenas o retorno que se tem dos alunos em testes avaliativos durante certos anos para medir o rendimento escolar, mas por que, então, não se preocupam com suas necessidades e desejos? E a prioridade, nesta sempre e repentina época, é a presença de todos os professores. E eles motivados ao ponto de conseguir passar esse sentimento para nós - os alunos. E assim seguir, dos professores e alunos motivados, uma das diretrizes para isso acontecer seria um salário regular, uma qualidade de vida interessante, respeito e harmonia na relação daqueles que deveriam trabalhar juntos para atingir e satisfazer, os quase sempre insastifeitos e desinteressados, alunos.